Muitos e11005721_875207599206197_1507666945_nnsaios têm escapado à minha caneta, à folha. Mas volto aqui como quem retoma o fôlego. Preciso desses ensaios como preciso de ar. Ainda que me pareça um exercício imaterial,  debruço-me a escrever na ânsia que o mundo me tome aos goles, como fossem meus escritos,  água gelada resfriando a alma  do corpo quente.

Quero apenas falar do medo.

Medo é uma palavra de origem latina. Medo é uma palavra de origem humana, de espectro complexo. O medo move e ao mesmo tempo paralisa. Sobre o medo e o amor, rascunhei na categoria POESIA  uma espécie de carta de amor e de medo. O assunto medo, me assaltou o instante literário. Não pela casualidade de sua persistência em vários momentos da minha vida, nem pela permanente aparição  que possui nas relações entre os homens.  Mas foi conduzida pelo impacto das palavras do escritor Mia Couto que surgiu esse gesto literário sobre o medo no trecho…

“ Os meus anjos da guarda tinham a ingenuidade de acreditar que eu estaria mais protegido apenas por não me aventurar para além da fronteira da minha língua, da minha cultura e do meu território. O medo foi, afinal, o mestre que mais me fez desaprender. Quando deixei a minha casa natal, uma invisível mão roubava-me a coragem de viver e a audácia de ser eu mesmo. No horizonte, vislumbravam-se mais muros do que estradas. Nessa altura algo me sugeria o seguinte: que há, neste mundo, mais medo de coisas más do que coisas más propriamente ditas.”

( Mia Couto)

  

 

Um comentário sobre “Breve ensaio sobre o medo…

  1. Mia Couto é um escritor extraordinário, assim como você Bárbara, que aos poucos vai se soltando, sem medo, para trabalhar a palavra da maneira que eu mais gosto, a forma poética.

    Beijos.

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